April 11, 2006

S. PEDRO DE MOEL

Marilia, Fevereiro de 2006

Longa viagem inicias
nas ruas do meu corpo
abres vales, sulcas montanhas
nunca desbravadas
nos meus cabelos tuas mãos
meus seios acaricias
que sensações estranhas
nas ruas desvendadas
dos lampiões chorosos
Tua seiva impetuosa corrente
rio quente e agreste
percorre saltitante
este meu mundo
de sul a norte
de este a oeste
Montanha que gira gira
cabeça ardente e esfusiante
prazer que me inunda
Teus braços
penínsulas imensas
que penetram tortuosas
no meu mar sem fundo
Juntos
mar e continente
amor e mundo
Minhas ondas
te afagam as margens longas
ou batem impetuosas
teus cabos imponentes
Teus cabelos negra floresta
onde ecoam chorados lamentos
ou ruídos de festa
Amor ou epopeia?
Sonho ou necessidade
por que meu corpo anseia?
Já vales abertos!
Já florestas plantadas!
Já rios correndo!
E vales fecundos!
Floridos desertos!
Cidades fundadas em todos os mundos!
Meu corpo te desvendo
lampiões chorosos
e logo risonhos
nas ruas inundadas
dum calor tremendo
Carícias renovadas
em novas estrelas
Sensações nunca iguais
nos bosques rumorosos
de árvores opulentas e velhas
Longa viagem iniciaste
nas ruas e cidades
que desvendaste
Viagem sem volta
No meu mar de amor
mergulhaste
Velho continente
gasto de dor
Numa ternura revolta
te entregaste
e em minhas ondas
amor esfusiante
me afoguei
e te afogaste

(Caxias, Julho 1971)

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