April 11, 2006

ROCHAS AO POR DO SOL

Marilia, Março de 2006

Eu amo os portos longínquos
os oceanos que não conheço
as aves falam comigo
contam-me a vida que passa
Queria contar-te o que sinto
mas adormeço deitada na relva
da noite constelada
e, quando o dia ameaça
a escuridão de veludo
sobem-me à memória
lembranças antigas
Queria contar-te tudo
todos os mistérios
da trajectória da infância
da adolescência triste
mas as dores perderam-se
na distância de todos os dias
e quando acordo
a solidão amadurece
como um rio que avança
de ondas inquietas
A madrugada despertou antes de mim
e eu queria contar-te todas as vidas
mesmo as mais secretas
eu amo os portos longínquos
e os barcos que navegam
as águas inconcretas

Março 1975

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